‘Repressão policial é forma de governar’, diz ativista

Livro reúne especialistas e representantes de movimentos para discutir a organização do estado e a repressão policial contra os mais pobres

Livro denuncia modelo de repressão policial contra os trabalhadores pobres e movimentos sociais/ ARQUIVO/EBC

Livro denuncia modelo de repressão policial contra os trabalhadores pobres e movimentos sociais/ ARQUIVO/EBC

São Paulo – “O estado está construindo uma forma de funcionamento em que é imprescindível a violência policial”, afirma Givanildo Manoel, o Giva, organizador e um dos autores do livro Desmilitarização da Polícia e da Política: Uma resposta que virá das ruas.

Para o autor, a repressão policial serve a uma forma de governar e se faz necessário, mais do que nunca, refletir sobre a forma como se organizam as forças de repressão, que “não deveriam funcionar da forma que funcionam”. Essa é a proposta do livro, que reúne ativistas em direitos humanos, integrantes de coletivos e movimentos sociais, professores e especialistas nas áreas de Segurança Pública e Justiça.

Giva conta que a iniciativa para a elaboração do livro surgiu após as manifestações de junho de 2013, quando houve uma exacerbação da violência policial. “Foi o mais amplo possível. Não é um livro que tem um olhar só. É um livro muito amplo que expressa diversos olhares da violência do estado”, destaca o organizador.

Frisando a importância das discussões suscitadas pelo livro, Giva lembra que só a Polícia Militar do estado de São Paulo mata mais que todas as polícias dos EUA, juntas. Outro desdobramento desse processo de criminalização é a crescimento da população carcerária, em sua maioria, jovens de 18 a 29 anos.

O autor questiona a aplicação do conceito de política de segurança e diz que o que vem sendo é, na verdade, uma política de repressão. Segundo ele, uma política adequada de segurança deveria transcender a intervenção policial e integrar políticas de saúde, educação, lazer, cultura, moradia e transporte, “um conjunto de direitos que impede que a violência possa ser a forma de mediar as relações”.

Quando perguntado a quem serviria tal modelo de polícia, Giva diz que basta verificar a atuação das forças policiais em áreas nobres, como os Jardins, e na periferia, em Guaianazes, por exemplo.

“Ela age para defender os direitos daqueles que detêm o poder econômico. A gente entende que essa polícia age para garantir a vida e as condições materiais da burguesia”, afirma Giva, lembrando que o funcionamento das polícias guarda laços históricos com a função dos capitães-do-mato, que perseguiam negros que fugiam da escravidão.

Sobre o elevado número de mortes pela polícia, os chamados autos de resistência, o autor afirma que “a pena de morte está estabelecida no Brasil”. Segundo Giva, tal modelo permite que as forças policiais prendam, julguem e condenem, sempre contra os mais pobres.

Haverá ciclo de lançamentos do livro pelo país. Em São Paulo, a publicação será lançada em vários pontos da periferia e no projeto “Autor na Praça”, na Praça Benedito Calixto, no dia 25 de julho.

Fonte: Rede Brasil Atual

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