Após Jornada Sem Terra, governo se compromete em recompor orçamento da reforma agrária

Após dois dias de mobilizações do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] em todo o país, que ocupou 13 sedes do Ministério da Fazenda contra os cortes na Reforma Agrária, o governo anunciou a recomposição do orçamento para o setor.

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O compromisso veio logo depois de uma reunião entre integrantes do Movimento e os ministros da Casa Civil, Aloízio Mercadante, da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, e do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. De acordo com Ananias, a redução no orçamento previsto para a reforma agrária, em decreto de contingenciamento publicado na última semana, pode ser revista.

Em termos proporcionais, o Ministério do Desenvolvimento Agrário é a pasta mais prejudicada pelo contingenciamento do orçamento da União. Com 15,1% de seus gastos afetados, o aporte que, antes, era de R$ 3,5 bilhões será de apenas R$ 1,8 bilhão. O valor representa uma redução de quase 50% do montante previsto, inicialmente, na Lei Orçamentária de 2015.

Para Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, no início do ano, o governo se comprometeu em assentar as 120 mil famílias acampadas. Porém, com esse corte no orçamento, o que já era considerado ínfimo passa a ser inviável para o compromisso.

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“Se não houver desapropriação de terras para novos assentamentos, não adianta discutir Reforma Agrária. O governo se comprometeu a recompor o orçamento. Nós seguiremos na luta, identificando latifúndios e exigindo que sejam desapropriados para a Reforma Agrária, conforme nossa legislação”, afirmou Conceição.

Com esse novo compromisso do governo de recomposição do orçamento, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, vai informar o novo valor a ser contingenciado para a reforma agrária, no próximo dia 20 deste mês.

Segundo Kelli Mafort, da Coordenação Nacional do MST, o governo precisa ter mais ação e menos discurso no que se refere à pauta da reforma agrária no Brasil, e que os trabalhadores e trabalhadoras rurais permanecerão em luta permanente. “O governo tem que ter vontade política e criar condições para fazer a reforma agrária. Precisamos ter ação, o discurso tem que parar de cair no vazio. E nós vamos seguir pressionando nas ruas para que se cumpra o prometido ao povo sem terra”, salientou.

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Mobilizações

Segundo Kelli, o cenário político brasileiro exige que o povo esteja em constante mobilização, pois se percebe a existência de um endurecimento e um conservadorismo maior no que se refere às questões econômicas, sem que se resolva os problemas da sociedade.

“O MST mostrou sua força ao mobilizar inúmeras famílias Sem Terra contra o ajuste fiscal e suas medidas, que têm afetado, diretamente, as conquistas e os direitos dos trabalhadores”, disse a dirigente.

Principal responsável pela Reforma Agrária, com este corte de verbas nas chamadas despesas discricionárias do MDA, a tendência é impactar, diretamente, a política de desapropriação de terras e assentamentos de famílias acampadas.

É nesse cenário que o MST mobilizou 18 estados, além da capital federal, com ocupações do Ministério da Fazenda em 13 estados. Além de diversas outras mobilizações, como ocupações de terras, trancamentos de rodovias e ferrovias, e marchas pelas cidades do país.

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Kelli salienta que o Ministério da Fazenda é a casa responsável pelos ajustes fiscais, programas e medidas que tem, insistentemente, impossibilitado que os investimentos públicos priorizem a educação, a saúde, a reforma agrária, dentre tantas outras políticas que são necessárias para melhorar as condições de vida do povo.

Segundo Alexandre, a sociedade brasileira precisava saber que é no Ministério da Fazenda que se coloca em prática a política econômica ditada pelo capital e pela burguesia, e contra o povo brasileiro.

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“Esse ministro [Joaquim Levy, ministro da Fazenda] não representa o povo brasileiro e sim a elite burguesa desse país. Irmos à luta, com ocupações na casa responsável pelos ajustes fiscais, possibilitou colocar em foco o arrocho que a classe trabalhadora vem sofrendo. Por isso, a vitória é nossa, porque a vitória pertence àqueles que sabem botar os pés e o coração no caminho da luta por uma sociedade mais justa e igualitária”, frisou Alexandre.

Fotos: Mídia Ninja

Fonte: Adital, por Iris Pacheco, da página do MST

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