Classe trabalhadora sente queda na qualidade de vida

Trabalhadores ouvidos pelo Brasil de Fato RJ apontam onde aperta o calo da crise.

Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

Ninguém está feliz com a situação atual do país. Isso é fato. A insatisfação é sentida na rua, no mercado, na feira, na padaria e até no boteco da esquina. A inflação subiu, os preços dos alimentos dispararam e os salários não aumentaram. Essa é a fatura da crise e a maior parte está sendo paga pelo trabalhador.

Para completar o cenário, o Congresso Nacional, liderado pelo PMDB, aprovou uma série de medidas que prejudicam o trabalhador. Um exemplo é o tempo de trabalho para ter acesso ao seguro-desemprego, que antes eram seis meses de carteira assinada e agora passou para um ano. O ajuste fiscal também dificultou ainda mais a vida daqueles que mais precisam. Saúde e educação foram algumas das áreas que mais sofreram com os cortes de recursos do governo, algo que causou indignação, por se tratar de dois setores já bastante precários.

Crise

O Brasil de Fato RJ foi até a Central do Brasil, no centro do Rio, ouvir os trabalhadores e saber como estão enfrentando a situação atual do país. O porteiro Alexandre Oliveira, de 40 anos, já está sentindo os efeitos da crise política e econômica. “Comecei a perceber que a crise tinha batido na minha porta quando vi que as dívidas estavam aumentando. Sempre tive controle dos gastos de minha família, mas agora tudo está atrasado”, relata Alexandre.

Com 14 anos de empresa e sem receber o salário há dois meses, o porteiro conta que a empresa fechou 18 das 20 filiais existentes. “Mas, quem está pagando essa conta não são os patrões, somos nós, os trabalhadores. Eles continuam com a mesma vida e nós não vemos a cor do dinheiro há dois meses”.

Trabalhadores protestam

Na Central do Brasil, a funcionária pública Maria da Penha Privado Guedes, de 51 anos, se prepara para um protesto na Cinelândia, para reivindicar aumento salarial. Faz uma parada para um lanchinho e um suco, pois a jornada promete ser longa. “Nós temos que ir para a rua, pressionar o governo. Nunca tem dinheiro para o povo, mas os deputados e senadores ganham altos salários e vivem no luxo”, diz a servidora.

Entretanto, a funcionária faz uma diferença entre os protestos dos trabalhadores e aquele da elite, em Copacabana, no último domingo (16). “Não queremos derrubar a presidente Dilma, o que queremos é que as coisas melhorem. Não temos ilusão de que a elite vai defender nossos direitos. Por isso temos que ir para rua brigar por melhores salários e menos inflação”, afirma Maria da Penha.

Desemprego e inflação

A taxa de desemprego, em julho, chegou a 8,1%, e em janeiro era de 6%. Apesar de ser considerada baixa para os padrões internacionais, a situação piorou desde o começo do ano. Por outro lado, a inflação acelera e pode chegar a 9,04%, segundo pesquisa do Banco Central. E a população começou a sentir os efeitos no bolso.

A dona de casa Antônia Soares, de 63 anos, é que sabe o quanto a inflação está pesando na hora de pagar a conta do supermercado. “Mês passado gastei 350 reais em uma compra. Já esse mês, os mesmos produtos custaram 450 reais. O que mais aumentou foram os preços dos legumes”, explica Antônia, que vive do salário mínimo da aposentadoria.

Embora, o cenário aponte para o desemprego, o estudante Alif Pita, de 18 anos, foi buscar sua primeira carteira de trabalho essa semana. A esperança é de conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho. “Tenho amigos que trabalham através daquele programa ‘Jovem Aprendiz’. A ralação para conseguir o primeiro emprego, antes, era pior. Hoje, temos mais opções”, diz o jovem.

Fonte: Brasil de Fato

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