Eliminar desmate ilegal só em 2030 é meta ‘fora da realidade’, diz professor

O cientista político Eduardo Viola, professor titular de relações internacionais da UnB (Universidade de Brasília), afirmou em sua palestra sobre o papel do Brasil na Conferência de Paris (COP 21), realizada no Fórum Desmatamento Zero, organizado pela Folha com patrocínio da Clua (Climate and Land Use Alliance), que o posicionamento do país de se comprometer em acabar com o desmatamento ilegal só em 2030 é “fora da realidade”.

“Pensar que só em 2030 o Brasil vai acabar com o desmatamento ilegal é fora da realidade em um momento em que a sociedade brasileira demanda por mais justiça”, disse Viola, citando como exemplo o apoio popular à operação Lava Jato.

A meta de chegar ao desmatamento ilegal zero em 2030 foi estabelecida pela presidente Dilma Rousseff em julho, durante visita aos EUA.

Viola também vê com pessimismo a possibilidade de se chegar a um acordo efetivo pela redução das emissões de gases do efeito estufa na Conferência de Paris, que será realizada nos dias 7 e 8 de dezembro.

Segundo ele, entre os quatro grandes atores globais desse cenário, apenas a Europa está comprometida com uma redução real das emissões para evitar o aquecimento global. EUA, China e Índia têm metas insuficientes para evitar um desastre ambiental.

Ao mesmo tempo, mesmo que se chegasse a um acordo, não seriam impostas sanções aos países que descumprissem esse tratado, tornando as metas de redução voluntárias.

Eduardo Viola, cientista político e professor da UnB, fala no Fórum Desmatamento Zero, em São Paulo - Jorge Araújo/Folhapress

Eduardo Viola, cientista político e professor da UnB, fala no Fórum Desmatamento Zero, em São Paulo – Jorge Araújo/Folhapress

“Os acordos do clima não têm dentes. Por isso, mesmo se houver um acordo, será um acordo político voluntário”, disse.

Viola avalia que o Brasil pouco pode fazer por um acordo, por ter perdido credibilidade no cenário internacional. Para o professor, a Conferência de Paris não deve ser um ponto de ruptura para o abandono das políticas de alto carbono, mas apenas a reafirmação de que os países precisam evitar um aumento da temperatura global.

Fonte: Folha de S.Paulo 

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