Ruralistas criam CPI para investigar organismo da Igreja que defende povos indígenas

Em meio à disputa entre fazendeiros e índios, Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul pretende investigar atuação do Cimi, apontado como incitador de invasões

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Nos últimos 12 anos, 390 indígenas foram assassinados no Mato Grosso do Sul – MARCELLO CASAL/ABR

São Paulo – Em meio à crescente tensão entre indígenas e ruralistas por disputa de terras no Mato Grosso do Sul, a Assembleia Legislativa do estado criou na última semana uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O requerimento apresentado pela deputada Mara Caseiro foi aprovado e o ato da Mesa Diretora que cria a comissão foi publicado na última terça-feira (22).

O Cimi é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criado em 1972, e faz a defesa da causa indígena em sua atuação missionária. Mara Caseiro, que também é fazendeira,acusa o Cimi de incitar e financiar invasões de propriedades pelos guarani-kaiowá.

Também apoiaram a criação da CPI do Cimi os deputados Zé Teixeira (DEM), Paulo Corrêa (PR), Lídio Lopes (PEN), Ângelo Guerreiro (PSDB), José Carlos Barbosinha (PSB), George Takimoto (PDT), Onevan de Matos (PSDB), Marcio Fernandes (PTdoB), Eduardo Rocha (PMDB) , Maurício Picarelli (PMDB), Antonieta Amorim (PMDB) e Beto Pereira (PDT).

Para o secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cléber Buzatto, a criação da CPI éuma iniciativa dos setores ligados ao agronegócio e “uma espécie de retaliação à visibilidade e apoio que o Cimi vem prestando aos indígenas do Mato Grosso do Sul”.

“Na nossa avaliação, trata-se de uma tentativa de negar o direito dos povos indígenas de receberem apoio da sociedade civil organizada do país”, afirmou hoje (24) à RBA. “Nós, evidente, não temos nada a esconder em relação às nossas ações e ao apoio que a gente presta aos guarani-kaiowá e aos demais povos, no Mato Grosso do Sul e no Brasil.”

As áreas em disputa já foram demarcadas e homologadas como Reserva Indígena em 2005, pelo presidente Lula, mas o procedimento de homologação foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão do ministro Gilmar Mendes, a pedido dos fazendeiros.

Em nota, o Cimi afirma que fazendeiros e jagunços têm atuado como milícias armadas, desferindo mais de dez ataques contra os guarani-kaiowá, citando, inclusive, o assassinato de um indígena e outros três baleados por arma de fogo, desde o recrudescimento das tensões, no último mês.

“Num estado onde ocorrem esses alarmantes casos de violências contra os povos indígenas, certamente há muito a ser investigado e denunciado. No entanto, não é o Cimi o causador dessa situação. Por isso, não é investigando e tentando criminalizar o Cimi que serão encontradas soluções para esta situação que se alonga ao longo da história”, diz a nota.

Cléber Buzatto afirmou que a criação da CPI é “oportunidade para repercutir, local, nacional e internacionalmente, toda a situação de esbulho e violência que os fazendeiros e o agronegócio têm impetrado contra os guarani-kaiowá” e, ainda, denunciar as empresas que financiam os deputados da bancada ruralista.

“A gente quer mostrar para a população que a Friboi, por exemplo, que é uma marca importante na indústria da carne no país, se beneficia com essa realidade e esse genocídio que está em curso”, acusa o secretário-executivo do Cimi.

Ele defendeu ainda a criação de outra CPI para investigar o genocídio da população indígena, no estado do Mato Grosso do Sul. Segundo dados divulgados pelo Conselho Indigenista, nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e outros 390 foram assassinados no estado.

Fonte: Rede Brasil Atual 

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