Encontro debate sobre Investimento Social Privado e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Como o investimento social privado pode se relacionar com a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotada e lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU) este ano? Esse foi o tema do encontro promovido pelo GIFE, IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e WINGS (Worldwide Initiative for Grantmaker Support) no dia 13 de novembro, no Instituto Alana, em São Paulo. A atividade contou a participação de representantes da Rockefeller Philanthropy Advisors e Foundation Center.

Por Gife

Os ODS são uma agenda mundial com 17 objetivos e 169 metas, que foram aprovados em setembro, em Nova York, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com os objetivos e metas, são previstas ações mundiais nas áreas de erradicação da pobreza, segurança alimentar, agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, entre outros.

Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE, iniciou o encontro destacando que a instituição faz parte da Estratégia ODS, uma coalizão de organizações com atuação reconhecida no país, representando a sociedade civil, o setor privado e os governos locais, com o propósito de discutir e propor meios de implementação para os ODS, que contemplem medidas efetivas para obter avanços nas diferentes dimensões que compõem essa agenda.

Heather Grady, vice-presidente da Rockefeller Philanthropy Advisors, lembrou que os ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) foram mais centrados na agenda social, sendo que,  agora, os ODS ampliam esse panorama, conectando indicadores sociais, econômicos e ambientais. Heather enfatizou ainda que os ODM traziam questões focadas nos países em desenvolvimento, enquanto os ODS ampliam essa visão apontando o papel e a responsabilidade de todas as nações sobre estes indicadores.

Para exemplificar essa abertura e amplitude dos ODS, Heather trouxe como exemplos o objetivo 10 – “reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles” – e 16 – “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis” -.  “É possível perceber que há uma visão mais holística desse desenvolvimento e como ele deve acontecer, algo que não existia nos ODM”, disse.

Em seguida, convidou os investidores sociais presentes a apontarem sua relação com alguns ODS citados. “É possível perceber que todos já estão atuando em alguma destas áreas prioritárias. Acredito que este é o momento para a filantropia se engajar de forma efetiva na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, enfatizou.

Para ajudar os investidores nesta tarefa, Heather apresentou a SDG Philanthropy Platform, uma iniciativa que busca facilitar as parcerias no âmbito do desenvolvimento global e contribuir para prosperar e produzir resultados, enquanto a transição é feita dos ODM para os ODS. Ela é liderada pela Foundation Center, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Rockefeller Philanthropy Advisors, sendo apoiada pela Fundação Conrad N. Hilton, Fundação Ford e Fundação MasterCard, o Brach Family Foundation, e redes de filantropia chave como a WINGS, a Asociación de Fundaciones Empresariales (AFE), da Colômbia, e Association of Philanthropy Indonesia (PFI), da Indonésia.

Segundo Heather, a plataforma facilita a colaboração entre os governos, a filantropia, o sistema das Nações Unidas e outras partes interessadas, a fim de trabalhar em conjunto em prol dos ODS e melhorar a eficácia do desenvolvimento. Para isso, faz uma coordenação entre os parceiros nacionais de execução e identifica pontos estratégicos de atuação para fundações individuais. A plataforma também divulga uma série de informações, esclarece dúvidas, monitora a implementação dos ODS a nível nacional, além de organizar conferências etc.

A SDG já realizou oficinas de planejamento em quatro países-piloto: Quênia, Colômbia, Indonésia e Gana. Os workshops reuniram representantes de filantropia, os governos e as Nações Unidas, para identificar oportunidades específicas de cada país e colaborar na realização de metas de desenvolvimento global. Estão em curso planos para expandir a lista de países-piloto.

Heather destacou ainda de que forma a plataforma pode atender às necessidades da filantropia em relação à implementação dos ODS e elencou alguns pontos, como, por exemplo, o fato de ser possível localizar aliados mais facilmente, promover relacionamentos mais fortes, abrir espaço para financiadores compartilharem o que fazem, identificar pontos de entrada produtiva para atuação dos filantropos, entre outros.

Em seguida, Lauren Bradford, gerente da Foundation Center, destacou que a filantropia tem uma enorme oportunidade de liderar o caminho para a realização dos ODS e práticas globais trabalhando para melhorar a sua própria capacidade financeira e de dados do programa e também encorajando outros, a fim de garantir que os recursos sejam investidos onde são realmente mais necessários para alcançar os ODS.

Lauren enfatizou a importância dos dados neste processo para que seja possível controlar os fluxos financeiros e medir o progresso, assim como ajudar os interessados a tomar decisões estratégicas de parceria e financiamento, além de garantir parcerias coordenadas e os resultados do desenvolvimento eficazes.

Para que isso seja possível, Lauren destacou que é necessário começar pela compreensão dos dados dos contextos regionais e globais, além de construir capacidades e habilidades técnicas para tal, assim como estabelecer um sistema de levantamento de dados e fornecer plataformas para intercâmbio de conhecimentos. “É necessário que a filantropia esteja ligada a processos de dados locais e globais”, disse, lembrando que esses dados, inclusive, devem ser utilizados para entender melhor quem faz o quê, onde e, com isso, ser possível trabalhos conjuntos.

Para contribuir com dados essenciais, a plataforma lançou o site SDGfunders.org, que visa ser um portal de informação, conhecimento e estabelecimento de parceria digitais. No site é possível encontrar, por exemplo, dados sobre quanto as fundações investiram em ações ligadas aos ODM por região e país.

Segundo Larry McGill, vice-presidente de pesquisa da Foundation Center, é preciso que as fundações estejam atentas para o SDG Framework, que foi criado, e que irá direcionar as conversas em relação à implementação dos ODS em nível global. “É preciso se apropriar desse ferramenta, pois as conversas serão baseadas numa análise do que as fundações fazem versus os indicadores propostos pelo framework. Assim, elas terão de fazer mais do que apenas dizer: ‘minhas ações estão alinhadas a tal objetivo’. Só assim poderão evoluir e continuar avançando nos próximos 15 anos”, disse.

Outro pronto destacado por McGill é que as fundações devem ficar atentas ao fato de que alguns objetivos são tão complexos que, caso tentem ‘abraçar’ mais de um, poderão avançar de forma mais lenta nos resultados. No entanto, será preciso considerar que particularidades de uma comunidade ou de um país para definir de que forma atuar junto a determinados objetivos, tendo em vista que há interação entre eles.

Segundo o vice-presidente de pesquisa da Foundation Center, o objetivo 17, que fala sobre a “importância em fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável”, destaca justamente a relevância das intervenções promovidas por vários parceiros, algo que irá gerar mais resultados. “O site, inclusive, é um espaço que esperamos que isso possa ser fortalecido. Na plataforma, será possível encontrar as fundações que trabalham em temáticas semelhantes e trocar conhecimentos, algo que é extremamente importante”.

Por fim, McGill ressaltou que o papel essencial da filantropia na implementação dos ODS, tendo em vista que é um setor independente, o que gera oportunidades para testar novas ideias e influenciar diferentes estratégias, encontrando outros caminhos.

Ao final do encontro, o secretário-geral do GIFE ressaltou ainda, aos presentes, que o Congresso GIFE de 2016 irá promover atividades específicas sobre esta temática, a fim de aprofundar as discussões de como implementar os ODS nos territórios, principalmente.

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