“A luta dos secundaristas é a luta de toda a classe trabalhadora”, afirmam estudantes em protesto

“Esse é o nosso maior protesto até hoje. A nossa intenção é lutar contra a ‘reorganização’ e para melhorar o ensino”, afirmou João Paulo, estudante da Escola Fernão Dias. Estimativa é que 15 mil pessoas participaram do ato.

Por Vivian Fernandes do Brasil de Fato.

Um mês depois da primeira ocupação em escolas estaduais em São Paulo, estudantes realizam um protesto na Avenida Paulista, em frente ao Masp, nesta quarta-feira (9). Em pauta estão a defesa de educação de qualidade e de maior participação da comunidade na gestão escolar. Os secundaristas também são contra o autoritarismo do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e contra os cortes do estado na educação. Os estudantes, cerca de 15 mil segundo os jovens, percorreram a avenida Paulista, atravessaram o viaduto 9 de julho e finalizaram na Praça da República, em frente à Secretaria Estadual de Educação.

Ao longo do protesto, os secundaristas e apoiadores gritaram palavras de ordem de força às ocupações, de denúncia à “reorganização” e a falta de prioridade no ensino pelo governador Alckmin; além de pedir pela desmilitarização da Polícia Militar. “A luta dos secundaristas de São Paulo é a luta de toda a classe trabalhadora”, foi uma das frases repetidas pelos estudantes através de jogral, citando que são contra as demissões e projetos de terceirização que visam a retirada de direitos.

“Esse é o nosso maior protesto até hoje. A nossa intenção é lutar contra a ‘reorganização’ e para melhorar o ensino. Nós estamos tentando passar a nossa pauta da forma que todo mundo entenda e esse ato, com certeza, irá conscientizar muita gente. A nossa luta é pela educação”, afirmou João Paulo, estudante ocupante da Escola Fernão Dias, na zona oeste da capital paulista.

Ao final do ato, já na praça da República, a PM entrou em confronto com alguns manifestantes black blocks. Após isso, dez pessoas foram detidas.

Mês de luta estudantil

As manifestações iniciaram contra a “reorganização” escolar proposta por Alckmin que pretende fechar 94 escolas e impactar em pelo menos 311 mil estudantes. A primeira ocupação foi na Escola Estadual Diadema, na região do ABC, na noite do dia 9 de novembro. Dela, se seguiram mais de 200 escolas ocupadas.

Os protestos, com ocupações e atos de rua, culminaram com o adiamento da “reorganização” anunciado por Alckmin, no último dia 4, que disse que abriria ao diálogo com alunos e pais, “escola por escola”, pois  acreditava nos “benefícios da reorganização” e que “2016 será um ano de aprofundarmos o diálogo”. Logo após, ocorreu a queda do secretário da Educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald da pasta; e fez com que o governador revogasse o decreto da “reorganização.

Convocação

O ato desta quarta-feira foi convocado pelos estudantes no último dia 6, após uma assembleia que reuniu representantes de cerca de 100 escolas ocupadas, os estudantes se pronunciaram sobre os rumos da mobilização. Eles afirmaram que seguiam “na luta, seja ocupando as escolas seja nas ruas” e exigiam “a ‘reorganização escolar’ seja permanentemente cancelada e que o governador Alckmin faça um pronunciamento claro e concreto através de uma audiência pública amplamente convocada”.

Também pediram “punição aos policiais que agrediram e/ou ameaçaram os estudantes e o fim dos processos contra estudantes, funcionários, professores e apoiadores, e que eles não sejam perseguidos ou criminalizados”.

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