Dia de Luta contra Golpismo Midiático mobilizou sociedade civil por diversidade na comunicação

Organizações e movimentos foram às ruas denunciar monopólio da mídia e sua influência sobre o processo de impeachment da presidenta Dilma

Por Marcela Reis

O monopólio privado dos meios de comunicação no Brasil e seu papel fundamental no golpe contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff foi alvo de manifestações em 13 capitais brasileiras nesta quinta-feira (5). Foi o Dia Nacional de Luta contra o Golpismo Midiático, organizado pela Frente Brasil Popular e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), para denunciar a ação política dos grandes meios ­—principalmente as Organizações Globo — que fere a democracia, a liberdade de expressão e o direito de comunicar.

“Está mais do que evidente a participação dos meios de comunicação do Brasil na construção e defesa do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff”, afirmou o FNDC em manifesto. Para a organização, a concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos grupos é responsável pela cobertura política que privilegia um dos lados.

Segundo dados da pesquisa “Donos da Mídia”, os dez maiores grupos de comunicação do país possuem 81,4% das emissoras de televisão. Só as Organizações Globo controlam diretamente cinco canais de TV em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Rio de Janeiro. A rede de televisão reúne 105 veículos afiliados em todo o país e um conjunto de 3.305 retransmissoras. Assim, a Globo distribui conteúdo para mais de um quarto do total geradoras de televisão do país.

Para Bia Barbosa, da coordenação do coletivo Intervozes, os posicionamentos dos grandes veículos de comunicação são declarados ou, no mínimo, mal disfarçados: a defesa da derrubada da presidenta Dilma Rousseff. “A cobertura sobre os casos de corrupção é seletiva, os setores contra o impeachment são deslegitimados e a cobertura dos atos é muito diferente de um lado e do outro”.  Só nos veículos alternativos que uma visão oposta está tomando um pouco mais de força, principalmente por causa das redes sociais.

O FNDC se baseia em três fatores para defender que o monopólio dos meios de comunicação é um golpe contra a cidadania: que os veículos não refletem a diversidade de visões da sociedade brasileira; que desrespeitam o interesse público, por tratarem a informação como uma atividade comercial; e que deformam a opinião pública, já que os meios de comunicação mais acessíveis transmitem uma só visão que é totalmente parcial.

Bia afirma que o que estamos vendo hoje é que a opinião pública pode ser formada de forma bem deturpada. “Só um segmento pode falar nos meios de comunicação de massa, a partir de sua visão dos fatos, e com isso formar a opinião pública a partir da sua própria opinião. As consequências disso podem ser danosas”, alerta.

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