De olho no parque eólico do Sertão do Araripe para minimizar os impactos sociais e ambientais

Com as informações do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro e das diversas pesquisas realizadas pelo setor privado, foi constatado o potencial de geração de energia eólica na Chapada do Araripe dos estados de Pernambuco e Piauí, região semiárida, e que reúne qualidades favoráveis e um corredor de ar que passa ventos que vêm do litoral e de outras regiões. Por este motivo, as empreiteiras já investiram, com financiamento público, cerca de R$ 5 bilhões na instalação de parques eólicos, com capacidade energética para abastecer 2 milhões de pessoas/mês no futuro será leiloada. O volume será leiloado para as companhias de abastecimento do Sistema Interligado Nacional de Energia.

Mesmo com toda a dimensão econômica dos empreendimentos e a ampliação da oferta de energia para o Brasil, é importante lembrar dos impactos ambientais e sociais. Nesta perspectiva, o conselho gestor da Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe (APA Araripe), hoje com aproximadamente 30 conselheiros/as, tem acompanhado de perto os desdobramentos dessas iniciativas. “Esses empreendimentos, iniciados em 2012, já foram apresentados ao conselho, inclusive demos várias contribuições no aperfeiçoamento do processo de autorização”, comenta o chefe da APA Chapada do Araripe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e presidente do conselho APA Araripe, Paulo Maier.

Ainda de acordo com o chefe da APA Chapada do Araripe do ICMBio, este tipo de geração de energia tem uma interferência significativamente menor no meio ambiente se comparado com a termoelétrica ou com a energia nuclear, por exemplo, mas ele alerta que isto não pode ser confundido com a não existência ou a minimização dos impactos que esses empreendimentos causam. “No caso daqui do Chapada há uma outra preocupação que diz respeito à soma dos empreendimentos, que contribuem para a fragmentação da vegetação nativa já existente, a partir da construção de estradas, das linhas de transmissão e dos próprios aerogeradores”, afirma Paulo.

Do ponto de vista da avifauna (conjunto de espécies de pássaros) e da quiropterofauna (conjunto de espécie de morcegos), os negócios de energia eólica causam redução e exclusão de habitat disponível, barreira intransponível, colisão com os aerogeradores, eletrocussão no choque com as linhas de transmissão, redução no crescimento e no sucesso reprodutivo daqueles animais. “Aqui na região a gente teve em 2013 o maior pombal de avoantes registrados pelo Cemave [Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres]. Então é possível que haja impacto das espécies que escolherão esta região para reproduzir em uma determinada época do ano, portanto é uma das coisas que teremos que monitorar também”, complementa Paulo Maier.

Outro aspecto significativo é a relação das empresas com as comunidades locais, em especial as famílias agricultoras impactadas diretamente. A transparência nas relações deve existir desde o momento de apresentação à conclusão do projeto. Para o coordenador técnico da ONG Chapada, Tales Matos, o empoderamento das informações sobre a obra possibilita que as famílias reivindiquem melhor os seus direitos.

“A sociedade deve cobrar pela mitigação dos impactos e pelos resultados das metas, que foram estabelecidas com estudos previamente realizados com o EIA [Estudo de Impacto Ambiental] e RIMA [Relatório de Impactos Ambiental], principalmente no que se refere à sustentabilidade, considerando ações estruturantes em relação à educação e saúde, por exemplo, para as famílias que se encontram no entorno dos Parques Eólicos. Sabemos que a energia é muito importante pra quem vai estar lá na ponta, mas  o desenvolvimento sustentável é fundamental”, avalia o coordenador técnico da ONG Chapada.

Por outro lado, Paulo Maier pondera que cada empreendimento sempre trará repercussão negativa e positiva para a região no qual ela é implantada. “Quando a gente fala em impactos sempre nos remetemos a algo que é negativo, mas é importante deixarmos claro que sempre haverá impactos bons e ruins. E os responsáveis pelas empresas devem justamente vai tentar diminuir os impactos negativos e maximizar os positivos, que é parte do esforço do processo de licenciamento”, avalia Paulo Maier.

Fonte: Chapada

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